Durante quinze anos, ele lhes enviou dinheiro, acreditando que viviam confortavelmente, até que abriu a porta e descobriu uma traição que lhe gelou o sangue.
Durante quinze anos, ele perseguiu o sucesso. Quinze anos longe da poeira da estrada onde aprendeu a andar, longe do cheiro do café preparado por sua mãe ao amanhecer, longe das mãos calejadas de seu pai, que sempre cheiravam a terra e trabalho honesto.
Luis Alfonso Guzmán tornou-se o homem que sempre sonhou: ternos impecáveis, reuniões em arranha-céus, contas bancárias que já não cabiam em uma única tela. O sucesso era a sua linguagem, e o dinheiro, o seu passaporte.
Ele sempre imaginou que seu retorno seria milagroso. Que os aldeões falariam dele com admiração. Que seus pais viveriam em conforto e paz graças a cada mensagem que ele enviava regularmente, mês após mês.
Mas o retorno não foi motivo de celebração.
Sua cara pasta de couro escorregou de suas mãos por um instante, e ele cruzou a soleira de uma casa vagamente reconhecida. As paredes de barro estavam rachadas e rasgadas como antigas cicatrizes. O telhado, sustentado por telhas enferrujadas, deixava entrar um vento frio. E
lá estavam eles, sobre a terra compactada.
Seus pais.
Dormiam encolhidos, como se o frio pudesse separá-los. Seus corpos pareciam curvados, muito menores do que ele se lembrava. Estavam cobertos apenas por trapos sujos que um dia serviram
de cobertores.
Uma menininha se agachou entre eles, buscando calor.
A capa carmesim de Louis brilhava como uma zombaria em meio à miséria. Ele tremia não pelo frio que penetrava pelas frestas, mas por algo mais profundo.
Por culpa.
Durante quinze anos, ele lhes enviou dinheiro, acreditando que viviam confortavelmente, até que abriu a porta e descobriu uma traição que lhe gelou o sangue.
Durante quinze anos, ele perseguiu o sucesso. Quinze anos longe da poeira da estrada onde aprendeu a andar, longe do cheiro do café preparado por sua mãe ao amanhecer, longe das mãos calejadas de seu pai, que sempre cheiravam a terra e trabalho honesto.
Luis Alfonso Guzmán tornou-se o homem que sempre sonhou: ternos impecáveis, reuniões em arranha-céus, contas bancárias que já não cabiam em uma única tela. O sucesso era a sua linguagem, e o dinheiro, o seu passaporte.
Ele sempre imaginou que seu retorno seria milagroso. Que os aldeões falariam dele com admiração. Que seus pais viveriam em conforto e paz graças a cada mensagem que ele enviava regularmente, mês após mês.
Mas o retorno não foi motivo de celebração.
Sua cara pasta de couro escorregou de suas mãos por um instante, e ele cruzou a soleira de uma casa vagamente reconhecida. As paredes de barro estavam rachadas e rasgadas como antigas cicatrizes. O telhado, sustentado por telhas enferrujadas, deixava entrar um vento frio. E
lá estavam eles, sobre a terra compactada.
Seus pais.
Dormiam encolhidos, como se o frio pudesse separá-los. Seus corpos pareciam curvados, muito menores do que ele se lembrava. Estavam cobertos apenas por trapos sujos que um dia serviram
de cobertores.
Uma menininha se agachou entre eles, buscando calor.
A capa carmesim de Louis brilhava como uma zombaria em meio à miséria. Ele tremia não pelo frio que penetrava pelas frestas, mas por algo mais profundo.
Por culpa.





